Foot of the mountain   -   2009




  

  Oxímoro Antítese  Ad Absurdum

(Patricia Cezar)

Em Literatura-e com formação em Letras a tendência é analisar tudo pelo literário mesmo-ao se encontrar opostos que se excluem, temos um fenômeno chamado de "Oxímoro antítse ad absurdum". Existe em versos como "Amor é fogo que arde sem se ver/É dor que desatina sem doer". Assim, como Amor pode arder sem se ver?(Sentir?) Ou a dor pode existir sem ser percebida? Não pode. Ou pode : depende do que se quer passar.

Para seu nono album de estúdio e 10o. da carreira,o a-ha fez isso: jogou com polos completamente opostos que poderiam se excluir mas verdade convivem: album atual soando com alguma coisa do passado;veloz e com sensação de pé no freio.Intenso,mas descontraído.E a-ha não fez,definitivamente, nenhum "revival honestíssimo" nem volta alguma ao pop que fazia nos anos 80, como quer fazer pensar boa parte da imprensa brasileira.Esse é o pensamento de quem não conhece a-ha.Também deixemos as loucuras de lado :a-ha nao se influencia nem por Depeche Mode, nunca por Pet Shop Boys.Tampouco Keane e Coldplay lhe servem de exemplo: é a-ha quem comanda a criação de Chris Martin e Co. E se sobre isso resta alguma dúvida,basta consultar o próprio Coldplay.

Embora Pal tenha dito que os últimos três albuns não tenham tanta influencia neste, é inegável que deles se ouve muito. Se a-ha foi realmente buscar raízes sonoras nos anos 80, ficou como capa. Não é essência. A prova é que o resultado é diferente. Não se pode dizer que "Foot of the mountain" soa como "Hunting high and low", é uma verdadeira apatia da acuidade auditiva afirmar isso.

Chegando no 5o. lugar da parada britânica e sendo considerado o maior single do a-ha desde "Take on me" (comercialmente falando), vemos que o caminho que o a-ha traçou desde 2000, especialmente a partir de "Lifelines" (2002) foi responsável pela total aclamação da banda com a crítica. Vieram de MEMS, Lifelines e Analogue as melhores análises dos entendidos (e  excluam disso qualquer jornalista brasileiro, indignos de tanto) porque Q Magazine, D Sound,New Musical Express, The Guardian e tantas outras publicações especializadas de renome internacional olharam para o a-ha maduro partir de Minor Earth Major Sky. Noutras palavras: se "Foot of the mountain" é tido atualmente como "o melhor album do a-ha", as respostas para tamanho sucesso não estão nos anos 80. Que se retire do a-ha esse estigma, pois "Foot of the mountain" é movimento para frente.Ainda que excelente sob todos os aspectos,não é o melhor album do a-ha.

São 10 faixas em que qualquer uma delas pode ser hit. Se a Universal Music trabalhar nelas, serão. Destaques para "The banstand","Real meaning", "Nothing is keeping you here", "Mother earth goes to nature" e "Shadowside". Mas todas as demais tem precisa instrumentação e os perfeitos vocais de Morten que, se resolveu não compor nesse album, cantou tudo que pode e com aquele controle de voz só ele tem. E se a-ha chega aos 25 anos atual,envolvente e criativo, deve muito,mas muito mesmo, a Morten. Porque se Mags e sobretudo Pal são a engrenagem da composição, Morten é o que dá vida a suas canções - já diria o guitarrista em entrevista ao jornal norueguês VG : sem Morten, perde sua noção de construção de música, pois é Morten seu maior referencial.

Como disse anteriormente: "Foot of the mountain" não é a obra prima do a-ha.O trabalho mais relevante da banda é realmente "Analogue".Mas temos a sequência de um tempo em que Pal, Mags e Morten dão o seu melhor e estão animados,inspirados e produzindo. É tudo que importa para uma banda que não tem nada a provar, possui público fidelíssimo e aonde quer que vá ,é recebida de braços abertos.É o que todo mortal -artista ou não- deseja.Só que apenas uns conseguem alcançar: topo -e não pé- da montanha....