|
EAST OF THE SUN
WEST OF THE MOON - 1990
|
"Não há limite a leste do sol e a oeste da lua"
|
Dois anos após "Stay on these
roads" , chega "
East of the sun West of the moon ", o quarto e mais
introspectivo disco do a-ha. Esta é uma fase que coincide com a chegada
da maturidade para Mags, Pal e Morten , que estão casando , tendo filhos e começando a
trabalhar de uma forma que para eles é mais interessante. Noutras palavras, nada de
preocupações mercadológicas , nada de imprensa , nada de pensar somente no público. E
a prova disso é a canção escolhida para abrir o disco :"Crying in the rain" , de Carole King , regravada também pelos
Everly Brothers em 1961...
"Crying in the rain" demonstra também uma mudança no som do a-ha, isto é,
eles "freiam" os ritmos mais acelerados dos três primeiros discos (o que
Morten Harket classificou como "destrutivo", uma quebra do que a banda vinha fazendo até
então) já apontando o início da guinada que mais tarde eles aprontariam em
"Memorial Beach".Não que ambos os discos tenham a ver musicalmente falando,
mas que o comportamento do a-ha influencia sua música, isso é inegável, e parece
que eles querem liberdade para tocar do jeito que entendem , livres de pressões. |
|
De qualquer maneira, o a-ha teve ,desde o início de sua carreira, a
característica dos grandes hit makers, e Crying in the rain vai naturalmente
para os charts de todo o mundo -incluindo os brasileiros. Consequência : discos
de ouro, platina, grande número de participações em programas musicais do mundo
inteiro, a-ha está nas capas das publicações de música como a inglesa OK e
Jürgen Seibold, jornalista alemão, preparava-se para o lançamento no ano
seguinte de seu livro sobre o a-ha com grande sucesso. É no ano de 1990 que a
Warner Internacional está dando parabéns ao a-ha pelo feito de ser seu artista
de melhor vendagem. Não apenas "Crying in the rain" entra para os charts ,
mas também "Early morning" e "I call your name" marcam sua presença ,com direito
ao lançamento de singles adicionais.
O a-ha parece também querer buscar suas raízes, com os elementos noruegueses mais à
tona: "East of the sun, West of
the moon" é uma lenda norueguesa
que Pal,Mags e Morten se identificam. De acordo com essa lenda, "não existe ponto
fixo à leste do sol e oeste da lua"...Ausência de "ponto fixo" pode ser
entendido com ausência de regras. À esta altura , o a-ha tem qualidade suficiente para
ditar muitas das suas.
Chris Neil e Ian Stanley são os produtores .Ao todo, são onze faixas. Há
destaque para "Crying in the
rain" , "Early morning" e "I call your name"
,
os já citados hits, há a surpresa de ouvir Mags
cantando em "The way we talk" , há a habilidade inata de Pal para compor
canções maravilhosas. Todas são especiais , porém "Slender frame", "Rolling thunder", "East of the
sun" e "Waiting for her" são
presentes do a-ha aos fãs do pop de alta qualidade. Isto sem contar que Morten -
recém eleito melhor cantor europeu da década de 80- continuava
perfeito nos vocais, à sua maneira peculiar de interpretação...Em "East of the
sun..." ele resolve deixar claro que nasceu para ser uma excepcional vocalista
e compõe, com Pal e Mags, a melhor banda pop do mundo.
( Análises das
músicas com base principalmente nas faixas originais. Faixas mixadas,
extended , lives e demos foram adicionadas como enriquecimento. As faixas
trazem ainda rápida passagem pelas interpretações das letras) |
| |
|
CRYING IN THE RAIN |
|
Quando uma banda tem talento de
fato, ela pode regravar qualquer música que sua identidade é mantida. Até aí tudo bem. Só que o a-ha
faz com que essa música soe como se fosse sua criação. É o caso desta faixa, a única
regravação do a-ha de outro artista, já que anos mais tarde "Velvet" seria regravada ,mas foi composta por Pal Waaktaar,à frente de sua própria banda,Savoy.
A música foi originalmente gravada pelos Everly Brothers em 1961.Quando o a-ha a regravou, havia
passado 30 anos e foi escolhida porque além do a-ha ser fã dos Everly Brothers, a
música ficou popular em Oslo por muitos anos.
A letra de "Crying in the rain" foi escrita por Carole King. Fala sobre uma
separação cuja tristeza e dor são abafadas pela chuva, que pode disfarçá-la. É por
isso que a chuva é tão importante, como um refúgio. Aliás é ótima a ligação da
chuva com as lágrimas a serem escondidas. E esconder as lágrimas se deve ao orgulho,
mesmo tendo que sofrer. Belo som, bela canção, de acordo com Carole King : uma
canção que o a-ha tornou "sentimental". |
| |
| EARLY MORNING |
|
A música executada ao vivo é uma
grande pedida! Soa ainda melhor do que o registro no cd. A letra é uma longa espera por
uma pessoa que, se não parecer, poderá provocar uma tragédia : "got a shutgun with me
here..." Ela é a esperança dele reagir a alguma coisa que o incomoda. Então é
necessário que ela apareça e resolvam as coisas...Não acredito que "Early
morning" seja uma música bem ao estilo do a-ha. É que foge à regra da
melancolia...uma música mais descontraída, pra relaxar. Legal a presença do baixo e da
bateria.A guitarra de Pal também tem uma participação especial.No Brasil,
estourou nas rádios.E durante o show em Vallhall, foi mantida no rpertório do
a-ha com nova vestimenta à base dos violões. |
| |
| I CALL YOUR NAME |
|
"I call your name" fala sobre
as expectativas quanto ao casamento. Começa com a narrativa tradicional do fato: "
Nós nos casamos/numa fria manhã no meio do inverno/dissemos nossas falas/então nos
beijamos/e estava acabado..."
Ele chega, passando pelo medo repentino, à conclusão de que jamais estará sozinho
depois de consumado o casamento. Portanto, o medo é a ansiedade.
"Através do fogo e da chuva/da desolação e da dor/através das perdas, através
dos ganhos", enfoca a idéia de estarem sempre juntos e ele fará o possível para
que o fogo não acabe nunca ,chamando sempre pela esposa quando necessário. Para
quem vai casar, uma boa
letra...
Mags trabalha bastante em "I call your name" , que tem uma maior ênfase do
piano. Ele usa algumas notas e faz miséria. Mags magnífico. Também a presença do sax
na música deu a ela um certo charme. Até então, ele só havia aparecido em "You'll end up
crying" , de 1988. |
| |
| SLENDER FRAME |
|
Ele faz uma ligação bem interessante com o
que acontece com ela e também com ele, simultaneamente. "Dê uma olhada e veja: o
que te detém é o que está me detendo" , o que "te desestrutura é o que está
me desestruturando". É como se ambos estivessem diante de uma situação em comum,
na qual os dois participam. Só que, para o personagem, a cautela é algo necessário, pois há
"muitas estradas por onde partir, mas poucas retornam novamente" , e ele
acredita nisso. E também não acredita. Chorar é inútil e ninguém vai muito longe com
isso. É preciso partir depressa -ele a quer íntegra. No entanto, a quer a seu lado
também quando escreve: "corra, corra, fuja em minha direção". Pode ser que
ambos estejam separados, e essa é uma idéia que vem com esta última frase. Talvez o
sofrimento de ambos seja o abismo da separação. E estarem juntos, é melhor do que
estarem separados. Se
é preciso enfrentar algo, e se algo já os atinge ao longe, então é bom unir forças.
"Slender frame" é excelente, tem excelentes vocais e uma parte instrumental
nota 10.Frequentemente está nos top ten dos fãs do a-ha e quando tocada ao vivo, como em
"Live in South America", é ainda melhor. |
| |
| EAST OF THE SUN |
|
Majestosa! É interessante como "East of
the sun" foge à toda e qualquer outra música feita pelo a-ha. Tem um estilo como se
fosse para ser sentida. Ser sentida, porque a letra trabalha (como sempre) o lado pensativo
das coisas. E está de acordo com esse clima: "metade de uma carta conta a metade de
uma história/do jeito que eu vejo isso/é a metade da preocupação". Traduzindo:
ele tem uma posição parcial, e precisa do todo para ter uma idéia final.
Quando está ferido e tenta se levantar ,mesmo que algo o impeça, ele levanta, guiado por
um "som que nenhum outro som poderia seguir"(este som pode ser a força).A dor
é uma coisa que sempre está com ele, tanto que a ferida não importa mais.
"East of the sun West of the moon", eu me rendo, é indecifrável." Sun e
moon", ou sol e lua, são contrários. Talvez, apenas talvez, a lua represente a
noite, a escuridão, ou os sentimentos ruins que o atordoam. Já o sol representaria os
momentos bons, que o libertam disso. É o máximo que eu consigo pensar. Morten,
alternando os vocais com graves e agudos sem vacilar, torna a faixa poderosa... |
| |
| SYCAMORE LEAVES |
|
Saber que alguém está enterrado o enche de
desconforto, e ele não consegue parar de pensar nisso.Ele sente que alguém está mentindo, escondido em folhas de plátano. Ou seja, alguém
trama sob o oculto .Jamais ele poderia encarar isso, bem como derrubar.
Morten dá o show mais uma vez, e seus vocais são a melhor parte da música. Ao vivo é
mais pesada que no cd, porém as duas versões são excelentes.
Tão excelentes que David Lynch, famoso (e nada honesto) diretor americano, apossou-se da
música, executando-a na série "Twin Peaks" ,sem dar a Pal ou ao a-ha qualquer crédito ou
pedir a eles autorização para uso. Lynch fez um rearranjo e trocou o nome da faixa para "Sycamore
trees". Resultado : ganhou um belo processo movido por Pal , que foi claro :"Ele
roubou minha música e eu a quero de volta". |
| |
| WAITING FOR HER |
|
"Esperar por ela, é tudo o que faço,
esperar por ela". Como se ele soubesse que esperar não dá em nada, se questiona
sobre não ter tomado as providências necessárias, já que o amor dele por ela é o mesmo. Ela o
avisou sobre não ter oportunidades ,e ele não soube aproveitar as que vieram em
sua direção. Então ela
o deixa sozinho, na chuva, e a ele resta reconquistá-la, e quebrar esse gelo que está
recebendo.
O parabéns aqui vai para Mags, cujo piano faz a diferença. Seus solos ficaram
belíssimos em toda execução da música, e o final é para repetir várias vezes no
cd player. Não tenho notícias de que a música tenha sido executada pelo a-ha ao
vivo.Seria bom que em alguma oportunidade, pudéssemos conferí-la de forma
diferente. |
| |
| COLD
RIVER |
|
Lauren Savoy, mulher de Pal, começou a
participar do trabalho dele com uma pequena citação em "Cry wolf" ,em
1986. Depois,em 1988 , cd "Stay on these roads" , escolheu o título de uma música, "Out of blue comes green". Aqui, Lauren chega
a escrever uma letra inteira.
Parece que o cenário é uma volta de carro na qual uma garota paquerada quer dirigir até
os pneus estourarem ( o que retrata a diversão tipicamente americana -de
onde vem a sra. Savoy ).E, num dia
ensolarado, ela vira tempestade para ele, humilhando-o. "Todo o dinheiro que você
ganhou/você precisava dele, baby? "Quer dizer que ela, sendo rica, se diverte assim,
brincando com os outros.
Não querendo desmerecer Lauren, como letrista ,ela, (que fez Cinema) é uma excelente
diretora. Digo isso porque a letra é vazia e descaracteriza todas as demais letras do
a-ha. Seria lamentável se o a-ha também tivesse uma figura a la Yoko Ono que
influenciasse uma realidade que não é sua.
O som, especialmente no refrão, lembra os Beatles. Mas o bom é ouvir Morten e Mags
cantando juntos. Arrasaram e salvaram a faixa . |
| |
| THE WAY WE TALK |
|
Aqui temos um pedido de reflexão sobre as
brigas de um casal, que acontecem há algum tempo."Baby, estas brigas são sempre justas. Este problema sempre esteve aí?" Ë a
pergunta dele, que não aceita situação e gostaria de mudá-la, se pudesse. Desta idéia
vem o ditado : "quando um não quer, dois não brigam".A canção é curta, tem
somente 1:30 min, mas é suficiente para apreciar a rouca voz de Mags cantando sozinho, ao
som de seu piano. Uma surpresa super agradável. Ah, sim: a voz rouca está destorcida
também. Não é a voz de Mags pura e simples. |
| |
| ROLLING THUNDER |
|
Ele pede a ela
que durante uma situação difícil, como o destino diante deles (algo que é imutável) ,
ela não parta como um "trovão retumbante", de maneira brusca. Deve sim esperar
, porque, durante a tempestade ele não a deixará sozinha.Mesmo que essa tempestade demore demais para terminar. E com a chuva ele pode mudar de
atitude :"trocarei minha pele perdendo-a desde dentro".
Ela é uma pessoa sensível, "ouve o som de quando as rodas engrenam". Então,
nada de ser impulsiva.A palavra-chave é sensação. Uma letra excelente para análises
pessoais, já que fala de atitude, destino, impulso, sensibilidade.
A introdução lembra um pouco "Crying in the rain", e os mesmos recursos foram
utilizados - o som real dos trovões e da chuva -para deixar a atmosfera condizente. Só
que aqui a música é bem mais densa, com certeza pela presença de Mags. Morten ,
Morten... |
| |
| SEEMINGLY ( NONSTOP
JULY) |
|
Caminhando por entre estranhos, discutindo um
futuro provável juntos, o casal está dentro do romantismo que tenta tornar julho sem
fim. Ora, é apenas um mês que como todos os outros vai passar, ainda que contenha algo
de especial no ar.
O difícil é imaginar onde estarão, pois o futuro é incerto. Para quebrar a tensão,
uma piada quando oportuna, porém o enfoque é mesmo estarem juntos e onde , e
logo.
Uma remada contra o tempo.
No momento do solo de piano, há alguém que está falando ao fundo, de maneira que, quem
presta atenção no que se diz não observa o solo e vice-versa.Uma música terna com o
famoso traço da melancolia. Belo acompanhamento do violão . No Rock In Rio II foi tocada
acompanhada do sax (inexistente na faixa de estúdio) que arrepiou!!No especial
da NRK norueguesa sobre o a-ha no ano de 1991,a música usou do piano e do sax juntos.Ficou perfeita! |